sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Sobre o IPI

Noticia original:
http://quatrorodas.abril.com.br/noticias/governo-eleva-ipi-carros-importados-302483_p.shtml
Governo eleva IPI de carros importados
Medida aumentará preços em cerca de 30% e valerá até o final do ano que vem
Por Marcio Ishikawa | 15/09/2011

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou no início da noite desta quinta-feira, dia 15 de setembro, o aumento de 30 pontos percentuais no IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados – para carros importados. Para as fabricantes instaladas no Brasil, o aumento não será aplicado desde que haja no mínimo 65% nacionalização do veículo (inclui o Mercosul). A medida vale já a partir desta sexta-feira, dia 16, e valerá pelo menos até o final de 2012.
Além disso, as fabricantes precisam preencher pelo menos 6 dentre 11 requisitos de investimentos, como montagem do veículo no Brasil, estampagem, fabricação de motores e transmissão. Ainda no anúncio, Mantega informou que, inicialmente, todas as empresas aqui instaladas estão habilitadas, mas que uma certificação será feita pelo Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior nos próximos 60 dias.
Na prática, a medida eleva em cerca de 30% o custo de um veículo importado. As principais marcas afetadas são as chinesas JAC e Chery, que nos últimos meses vinham aumentando significativamente a sua participação no mercado nacional. Aplicando-se a média de 30% de aumento, um JAC J3 deve subir de R$ 37 990 para algo em torno de R$ 49 270, enquanto um Chery QQ, cuja tabela aponta R$ 23 990, pode passar a ser vendido por R$ 31 190.
Mantega, em seu pronunciamento, justificou a medida como uma forma de proteger os empregos nacionais. “O consumo interno está crescendo, mas a demanda está sendo atendida principalmente através das importações”, disse. “Corremos o risco de começar a exportar empregos. As medidas que anunciamos hoje servem para estimular a produção nacional.”

Comentários:

É o seguinte, essa conversa de "proteger a indústria nacional" é uma grandessíssima babaquice, em todos os sentidos.  Porque "proteger a indústria nacional" é, na prática sustentar as ineficiências da cadeia produtiva do país. Então, ao invés de estimular a concorrência em todos os setores (calçadista, têxtil, automobilistico, vitivinicultor, eletrônico e etc...) o governo prejudica o consumidor brasileiro fazendo reserva de mercado para as empresas nacionais ineficientes. Acho que a diferença da linha de raciocínio é que eu acredito que o ideal seria diminuir a tributação mesmo, mas diminuir sobre todos os produtos (nacional e importado) e equalizar a carga tributária dos nacionais e importados para deixar a seleção natural agir sobre a indústria nacional...

Só pra vcs terem uma idéia de como é uma merda essa "proteção da indústria nacional" patrocinada pelo governo, um exemplo de um negócio: no brasil, a moda agora é instalar parques de geração de energia eólica. Um parque é composto, em média, por 60 torres de geração de energia (aquelas torres de 100 mts de altura, com um aerogerador em cima). 
Cada torre dessas custa (só a torre de aço, sem a turbina na ponta), no brasil R$1.1Milhão (com aço fornecido pela única fornecedora desse tipo de aço no Brasil, a Usiminas). Se nós pudessemos importar de Portugal (com mão de obra européia cara pra disgreta, aço brasileiro comprado por Portugal, que não produz um grama de aço) a gente conseguiria compra a mesmíííssima torre por R$520 mil, com impostos e entregue montada dentro do parque eólico aqui no Brasil. MASSSSS, se formos comprar essas torres, não conseguimos financiamento do BNDES (por não ser uma torre nacional), então compraremos a torre de aço mais cara do mundo pra poder conseguir financiar a porra do parque, porque a porra do banco não financia a merda da torre importada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário